Estou avesso a sacrifícios perenes, a privações que me façam ver a vida passando logo ali ao alcance das mãos, e que não me deixem tocá-la. Hoje, não existem grilhões tão fortes quanto as minhas vontades, quanto a esta ânsia de eu ter o que me cabe da vida. Quaisquer amarras racionais vou romper para que eu possa saborear a vida, como a mais suculenta e saborosa fruta que ela pode ser, para que eu possa abraça-la e dizer: vida, és minha. Por mais curto que o tempo desse abraço possa ser, quero frêmitos de alegria, quero arrepios de felicidade, quero o sal da lágrima me descendo o rosto, quero o êxtase, o prazer, quero olhar para tudo e nada enxergar, quero apenas sentir, sentir, sentir. Racionalizar demais, enquanto vibra a ação do sentimento, já não me parece algo aceitável, soa como a pior escolha. Estou exaurido por remar contrário a corrente, e aos poucos o que vem de cima, mostra-me a superioridade de sua força e vou rendendo-me. A razão é minha, mas o sentimento, é divino. E quem sou eu para conflitar com o que é divino? Sou humano demais para isso. Quero doravante, ser o que sinto ser, quero que daqui para frente, o natural, aconteça naturalmente.
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