domingo, 29 de abril de 2012

"O que fizemos?"

Deus, quando inventou o amor, nunca, jamais havia amado. Por brincadeira, de mal gosto, fez-nos inclinados a esta derrota. Ele jamais viveu o desespero de não ouvir um oi, não ter notícia, de não ter por perto alguém que faz a mesma falta que o ar. Deus não foi gerado em um ventre, não deve ter nascido. Foi filho único, não teve pai, nem amigos, talvez nem filho, e com toda a certeza jamais viu os anos levarem a vitalidade de alguém amado. Não precisou ser amamentado, acalentado, não aprendeu a caminhar caindo e machucando mãos e joelhos. Certamente nunca quis algo e sentiu a navalha do não na carne. E por falar em carne... não teve. Nem ossos, nem pele. Se estou errado, por quais motivos nos criou e permite-nos definhar em frente ao espelho, e principalmente, que vejamos nossos amores perecerem por moléstias, sem termos o que fazer a não ser chorar e sofrer? Por que razões não nascemos juntos e vamos todos juntos embora? Por que nos toma os amigos? Por que nos leva os filhos? Por que nos faz viver o terror de enterrarmos nossos pais? Por que nos mostra as maravilhas permitindo-nos nascer e vivê-las, e rouba-nos as lembranças delas ceifando-nos a vida? Por que nos fraciona a alma, e na volta, permite que reencontremos e identifiquemos partes de nós, almas gêmeas, em situações que elas não queiram ou não possam juntar-se? Por que mesmo não querendo somos derrotados pelo amor? O que fizemos? O que precisamos fazer para ter sempre quem nos ama e que por nós é amado? A dor de talvez não ver, faz pensar e muito, no que nunca ficará bem claro. Se não perdi, perderei, e magoado, começo a duvidar se Deus é bom. 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

"Sem preconceito"

É tão difícil negar a ti, o meu amor
Se ele só quer ser todo teu, amor
É tão cruel lutar contra o querer
Que há em mim, que há em meu ser
Do céu você fugiu, pra quê?
Para enlouquecer a este alguém
Que vive longe, afastado do divino
Pávida vontade de gozar, gostar
De ter, e de querer o teu prazer
Medo alucinante de chorar
Toda esta vida, a desejar você
Como é difícil não ceder, a ti
Como é hesitante a minha mão, meu não
Por Deus, se vai a vida assim?
Sem preconceito vou deixar que entre em mim
Se em você eu passo o dia a pensar
Nada mais justo que eu relegue a este medo
E viva a vida a te amar.

"Você é tudo"

Me banha de luz
Me olha, seduz
Me faz encontrar

A paz que preciso
Abrigo, juízo,
Me faz levitar

Me enche de amor
Me segue onde eu for
Me faça feliz

Me torne matriz
Me deixa dizer
O que eu não posso negar

Sou outro, sou mais
E serei bem melhor
Se com você estiver

Se não, eu sou nada
Água rasa e parada
Sou coisa qualquer

Me afaste de mim
Me aponte o caminho
Que eu vou acatar

Te sigo minha flor
Não pelo fulgor
Mas sim por te amar


terça-feira, 24 de abril de 2012

"Espere"

Jamais invente um amor, para de um outro não lembrar, deixe as mares as Luas e os Sóis que forem precisos passar, espere o verdadeiro vir, certamente, você não vai se arrepender quando ele chegar.

terça-feira, 17 de abril de 2012

"Vem comigo?"

Venha, com tua mão na minha, caminhemos em direção ao desconhecido. Contemos um ao outro, pelo caminho, das fantasias e viagens que faremos ou não, mas, que de uma forma ou de outra, serão vividas. Venha viver comigo a verdade dos teus sentimentos, banhar meu ombro com o peso das lágrimas que carregas, e não precisas carregar. Venha inundar meu corpo com a luz que o teu pode irradiar, venha extrair de mim, todos os fluídos que eu possa te dar, agora, e sempre que for necessário tua sede sanar. Veja, enxergue em mim a palavra que acalma, e sinta o amor, que simplesmente quer dar. Entregue sem pensar em receber de volta, tua alma à mim. Equalizemos os passos e andemos juntos enquanto não chegar o fim, encaixemo-nos enquanto nos for permitido, amar é bom, e não é proibido. Deixe pra lá, o que precisa estar, acate a tua vontade sem medo errar, ouça ao teu instinto e também tudo o que eu te digo, apenas diga sim, dê-me sua mão, e vem. Vem comigo?    

"Minha alegria"

"Minha alegria, está em fazer o que me faz sentir emoção, se durante ou depois, brilharem sorrisos ou rolarem lágrimas, tenha certeza de que estarei me sentindo bem."

segunda-feira, 16 de abril de 2012

"Um pouco de mim, por mim"

Nasci assim, velho, mas não antigo, alegre, mas longe de ser tolo, criança, mas sabedor das responsabilidades, louco, porém cheio de medos, sonhador, mas enraizado pela realidade, respeitador, contudo, um questionador contumaz, pavio curto, mas ruim de acender, simples, porém sofisticado, solícito, mas nunca explorado sem querer, um anjo, mas com um quê do outro lado, singelo, fraterno, duro quando preciso for, mas antes de tudo isso, sou prova viva de que existe amor.

sábado, 14 de abril de 2012

"Por bons e maus motivos"

Um dia, estará tudo acabado. Mas eu terei dito, escrito, cantado, gritado que te amei. Terei estado sob tuas carícias, terei tido meu rosto tocado pela pontas dos teus dedos, pela palma da tua mão. Terei vivido o prazer de ter teus braços envolvendo minha cintura, o prazer de saber que contigo carregaste minha imagem, voz e alma, por um bom tempo, mesmo que para ti, não tenha sido tão bom. Terei te mostrado coisas, lugares, caminhos e quem sabe até, te apresentado uma espécie de amor. Terei deitado minha cabeça em teu colo, afagado teu ventre sob a veste e enxergado estrelas, que neste instante viajavam pelo universo ou, apenas no devaneio da minha imaginação. Quando para algum de nós, o real não mais for acontecer, terei tido medo por ti, terei te abraçado para que não tivesses medo, terei feito teu coração disparar, terei tido o meu, por ti disparado, terei te levado aos meus refúgios, teremos caçado a Lua, de leste a oeste pela madrugada, terei te visto apreciando a água em cachoeiras, terei conversado contigo sobre as coisas da vida, enquanto observávamos as ondas do mar. Terei visto de perto teus cabelos ao vento e teus pés sobre a areia fina e clara de uma duna. Terei chorado por ti, terei por bons e maus motivos, te feito chorar. Eu sei, ainda há tempo. Contudo, um dia estará tudo acabado, mas eu, terei dito, escrito, cantado, gritado, que te amo. 

quarta-feira, 11 de abril de 2012

"Borboleta verde e preta"

Sonhei que eu andava sozinho e descalço, em uma estrada de chão batido, com cascalhos que machucavam e faziam sangrar meus pés. Já havia um tempo que eu caminhava e por algum motivo não podia parar. O que não era cinza, era branco. E quando a exaustão começou a chegar, começei ouvir minha voz em uma melodia que me acalmava e amenizava a dor. De repente, ao longe e bem devagar, vens tu a te aproximar, porém, teu belo e desejável corpo vinha carregado por lindas asas de borboleta. Bem..., voltando ao teu corpo, não estava nú, como eu gostaria de ver, e sim com uma espécie de malha nas cores verde e preta, assim como tuas asas. Ver-te  ali voando em minha direção, além de linda, em escala natural, sem anteninhas, e com tuas asas enormes, me fez enxergar as cores novamente. E o chão não foi mais cinza, e o céu e o sol não foram mais brancos, e teu vôo ao meu redor me fez não mais senti o chão, e por breves instantes voei contigo em elípses, sem te tocar, observando o sorriso que admiro no rosto que adoro beijar. E a melodia permaneceu a mesma, um lamento, pois logo te vi aumentar a distância de mim, afastar-te e levar contigo as cores de um lugar que deve ter sido o paraíso neste breve momento, não sei, minha atenção estava em ti. E aos pouco o chão foi aproximando-se e o meu calvário também. O cinza e o branco voltaram e passaram a escuridão total. Ficaram minha voz, aquela melodia, e o fascínio pela borboleta, linda, verde e preta.(Que louco não?)