Deus, quando inventou o amor, nunca, jamais havia amado. Por brincadeira, de mal gosto, fez-nos inclinados a esta derrota. Ele jamais viveu o desespero de não ouvir um oi, não ter notícia, de não ter por perto alguém que faz a mesma falta que o ar. Deus não foi gerado em um ventre, não deve ter nascido. Foi filho único, não teve pai, nem amigos, talvez nem filho, e com toda a certeza jamais viu os anos levarem a vitalidade de alguém amado. Não precisou ser amamentado, acalentado, não aprendeu a caminhar caindo e machucando mãos e joelhos. Certamente nunca quis algo e sentiu a navalha do não na carne. E por falar em carne... não teve. Nem ossos, nem pele. Se estou errado, por quais motivos nos criou e permite-nos definhar em frente ao espelho, e principalmente, que vejamos nossos amores perecerem por moléstias, sem termos o que fazer a não ser chorar e sofrer? Por que razões não nascemos juntos e vamos todos juntos embora? Por que nos toma os amigos? Por que nos leva os filhos? Por que nos faz viver o terror de enterrarmos nossos pais? Por que nos mostra as maravilhas permitindo-nos nascer e vivê-las, e rouba-nos as lembranças delas ceifando-nos a vida? Por que nos fraciona a alma, e na volta, permite que reencontremos e identifiquemos partes de nós, almas gêmeas, em situações que elas não queiram ou não possam juntar-se? Por que mesmo não querendo somos derrotados pelo amor? O que fizemos? O que precisamos fazer para ter sempre quem nos ama e que por nós é amado? A dor de talvez não ver, faz pensar e muito, no que nunca ficará bem claro. Se não perdi, perderei, e magoado, começo a duvidar se Deus é bom.
Nenhum comentário:
Postar um comentário