Fiz minha prece
Pedi a Deus que desse a este corpo
A noite de sono e descanço que merece
Estou cansado de sonhar, só sonhar
De dormir sem desligar.
Pedi apenas uma noite no vazio
Sem pensar, sem desvario
Algumas horas sem você
Sem te ver, enfim, por paz no sono.
Ele mais uma vez não ouviu, e você veio
Linda, como te vejo mulher
Meiga, como teu gesto traduz
Quente, como para o que o meu desejo conduz.
E eu te quis, aberta e lisa
Ardente e profunda
Serpenteando, como tuas curvas
Subindo e descendo como cordilheira
E desaguando em mim, como rio em mar.
Ofego por lembrar
Imagine os suores da noite?
A taquicardia e toda tensão?
Sinto que irei sucumbir, por isso peço em oração.
Mas, algum propósito há
Por que Ele te trouxe até mim
E nem por algumas horas da noite quer te levar.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
"Estou errado?"
Estou tranquilo como gosto de estar, sentindo teu cheiro em mim como se o meu não existisse. Parece-me que ainda tenho teu corpo encostado ao meu, te sinto. Tuas palavras em certos momentos abrandam minha temperatura, mas teus olhos fechando, teus gestos murmurando sim, teu sorriso verdadeiro, explicitando felicidade, me fazem acreditar na recíproca. Posso estar errado mas não há entre nós, quem ame mais ou diferente, nos queremos da mesma forma e digo mais, não estamos envolvidos pela chama de uma paixão arrebatadora e leviana, é muito mais que isso. São tantos anos... mas o tempo passa e o que sinto cresce, tenho medo disso, contudo tenho muito mais de te machucar. Mas minha crença me diz que não devo pensar, no que não quero atrair. E a prova é que pensando em coisas boas, consegui ter você ao meu lado. Vou fazer o possível para que continue assim.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
"Às vezes esqueço"
A pele cortada do açoite. Por chibatadas para as quais o indulgente destino cerrou os olhos. Braços robustos suspendendo parte do corpo preso pelos pulsos. Joelhos ao chão, cabeça inclinada para a frente evidenciando o desfalecimento. Escorre já nas coxas, no tecido encardido feito de algodão, o sangue do homem, tratado como nenhuma criatura deveria ser. Ainda ecoa o seu lamento pela noite quente e sem luar, e à luz da crepitante fogueira vê-se sangue, e suor misturado às lágrimas, que não deveriam habitar mais nos olhos de quem tanto já chorou. Anos de ...(continua)
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
"Se preciso ir..."
Vou colorir o meu interior de outra cor
Vou ouvir tudo o que jamais pensei, agora
Vou tentar não mais falar sozinho
Devolver o canto aos passarinhos
E mesmo aos prantos vou calar minha voz
Se não me queres ouvir, nada falarei
Se não me queres olhar, não aparecerei
Se em mim não queres pensar
Da tua memória desaparecerei
Saio como cheguei
Lamentando não ficar, como eu quero.
Vou ouvir tudo o que jamais pensei, agora
Vou tentar não mais falar sozinho
Devolver o canto aos passarinhos
E mesmo aos prantos vou calar minha voz
Se não me queres ouvir, nada falarei
Se não me queres olhar, não aparecerei
Se em mim não queres pensar
Da tua memória desaparecerei
Saio como cheguei
Lamentando não ficar, como eu quero.
"De uma vez por todas"
Me deixa tocar tua pele como queres que eu toque
Respire meu ar, para que a vontade que tens de amar não te sufoque
Derrube as barreiras colocadas ao redor do teu querer
Tudo é melhor quando pode ser, quando quer acontecer
Me deixa guiar tua mão rumo ao que não conheces
Me deixa tentar, só tentar, dar-te o que penso que mereces
Talvez eu consiga e para a minha alegria te faça ainda mais feliz
Ou, talvez cortemos isso tudo, de uma vez por todas, e pela raiz
Pense no que há de se perder, por amar
Por viver, por se dar, por sentir, por gozar, receber
Seja enfim, seja sempre que puder
Tudo aquilo que eu desejo, e que tua alma mais quer.
Respire meu ar, para que a vontade que tens de amar não te sufoque
Derrube as barreiras colocadas ao redor do teu querer
Tudo é melhor quando pode ser, quando quer acontecer
Me deixa guiar tua mão rumo ao que não conheces
Me deixa tentar, só tentar, dar-te o que penso que mereces
Talvez eu consiga e para a minha alegria te faça ainda mais feliz
Ou, talvez cortemos isso tudo, de uma vez por todas, e pela raiz
Pense no que há de se perder, por amar
Por viver, por se dar, por sentir, por gozar, receber
Seja enfim, seja sempre que puder
Tudo aquilo que eu desejo, e que tua alma mais quer.
"Basta!"
Estou avesso a sacrifícios perenes, a privações que me façam ver a vida passando logo ali ao alcance das mãos, e que não me deixem tocá-la. Hoje, não existem grilhões tão fortes quanto as minhas vontades, quanto a esta ânsia de eu ter o que me cabe da vida. Quaisquer amarras racionais vou romper para que eu possa saborear a vida, como a mais suculenta e saborosa fruta que ela pode ser, para que eu possa abraça-la e dizer: vida, és minha. Por mais curto que o tempo desse abraço possa ser, quero frêmitos de alegria, quero arrepios de felicidade, quero o sal da lágrima me descendo o rosto, quero o êxtase, o prazer, quero olhar para tudo e nada enxergar, quero apenas sentir, sentir, sentir. Racionalizar demais, enquanto vibra a ação do sentimento, já não me parece algo aceitável, soa como a pior escolha. Estou exaurido por remar contrário a corrente, e aos poucos o que vem de cima, mostra-me a superioridade de sua força e vou rendendo-me. A razão é minha, mas o sentimento, é divino. E quem sou eu para conflitar com o que é divino? Sou humano demais para isso. Quero doravante, ser o que sinto ser, quero que daqui para frente, o natural, aconteça naturalmente.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
"As pedras e o tempo"
Hoje, não sou o mesmo de ontem. Assim tem sido desde que nasci a primeira vez, e por Deus, juro que gosto muito mais do eu atual, felizmente tem sido assim. Em cada novo amanhecer, quero tirar dos dias, toda a luz que eu puder reservar, quero entre o alvorecer e o anoitecer, todas as energias boas que eu pude captar, quero, quando adormecer e para outra dimensão ou ao próximo dia me transportar, ter o que ceder, ser a chama para quem precisar. Busco nas coisas simples, explicações, que minha alma requer e que me fazem seguir. Fui sozinho na cachoeira que contigo descobri, sem a concorrência da tua, desta vez, consegui prestar mais atenção à beleza do lugar. Voltei os olhos para a beleza das pedras, falei com elas, e elas, sua história revelaram, disseram que as águas que por ali passaram, as esculpiram, evidenciaram. E enquanto meu corpo seminu, sentia a areia grossa do leito do riacho e arrepiava-se não só com a água fria, mas também com a influência da magia do lugar, cheguei à conclusão que sou como uma daquelas pedras, e o tempo, as águas que até que eu desapareça, irão me transformando. E entregue ao feitiço daquela natureza, e aos devaneios do meu pensar, meu espírito e mente sentiram que por mais que eu queira mudar, continuarei sendo pedra, e mesmo que eu não queira, as águas continuarão a passar levando meus pedaços, e por vezes agregando em minha superfície coisas que elas mesmo levarão embora um dia. Mas o que eu queria dizer é que o mais importante em mim é o interior, é lá, que está a minha essência, e é lá que te guardo. As águas ou o tempo, como preferir, irão vencer um dia, sei disso, mas o que me conforta é que mesmo mudando a cada dia, só te levarão de mim, quando eu não existir mais.
domingo, 2 de outubro de 2011
"Mudando de assunto"
Tantas melodias para ouvir, quantas coisas para sentir, tantas outras coisas para falar, e eu, eu repetindo tanto! Vou ler um livro. Encarnar um personagem, viver sua história, e que não seja ela de amor. Preciso de algo aventureiro, para mudar de assunto. Quero sangue nas lâminas, veneno nas veias, antídoto, gelo nos cabelos, areia nos pulmões, ossos quebrados. Quero queimar sob o Sol de um deserto escaldante em busca de sombra e água fresca, quero cruzar de trenó, as gélidas paisagens do Ártico, puxado por Huskys, e quem sabe descansar e aquecer o corpo durante algumas horas, nos braços e sexo de uma inuíte desconhecida, antes de voltar a deslizar pela neve e sob as luzes da Aurora Boreal. Quero fazer de prato principal, as serpente que me amedrontam, enquanto atravesso a região norte deste país em direção às guerrilhas da Colômbia. Quero aprender os costumes de uma tribo indígena qualquer, e poder apreciar as vitórias-régias enquanto imito, assobiando, o canto do uirapuru. Quero viver nú, respirar o ar dos Andes e mergulhar em um dos lagos mais distantes do centro da Terra. Quero viver a sabedoria, a mística andina, e tocar as ruínas incas antes que virem pó, e extrair dali o vigor das almas dos jovens ali sacrificados. Quero que o vento e as velas, me levem ao seu sabor, e poder gozar do prazer de partir dos portos, sem precisar olhar para trás, quero poder dizer adeus, e nunca mais. Ah! Eu tenho muito para pensar! Por que me deixo repetir tanto? Inúmeras histórias pra viver, tantos outro sonhos que eu poderia sonhar e eu querendo apenas um! Ih!!!!! Pensando bem, acho que um só livro não vai dar.
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