Hoje, não sou o mesmo de ontem. Assim tem sido desde que nasci a primeira vez, e por Deus, juro que gosto muito mais do eu atual, felizmente tem sido assim. Em cada novo amanhecer, quero tirar dos dias, toda a luz que eu puder reservar, quero entre o alvorecer e o anoitecer, todas as energias boas que eu pude captar, quero, quando adormecer e para outra dimensão ou ao próximo dia me transportar, ter o que ceder, ser a chama para quem precisar. Busco nas coisas simples, explicações, que minha alma requer e que me fazem seguir. Fui sozinho na cachoeira que contigo descobri, sem a concorrência da tua, desta vez, consegui prestar mais atenção à beleza do lugar. Voltei os olhos para a beleza das pedras, falei com elas, e elas, sua história revelaram, disseram que as águas que por ali passaram, as esculpiram, evidenciaram. E enquanto meu corpo seminu, sentia a areia grossa do leito do riacho e arrepiava-se não só com a água fria, mas também com a influência da magia do lugar, cheguei à conclusão que sou como uma daquelas pedras, e o tempo, as águas que até que eu desapareça, irão me transformando. E entregue ao feitiço daquela natureza, e aos devaneios do meu pensar, meu espírito e mente sentiram que por mais que eu queira mudar, continuarei sendo pedra, e mesmo que eu não queira, as águas continuarão a passar levando meus pedaços, e por vezes agregando em minha superfície coisas que elas mesmo levarão embora um dia. Mas o que eu queria dizer é que o mais importante em mim é o interior, é lá, que está a minha essência, e é lá que te guardo. As águas ou o tempo, como preferir, irão vencer um dia, sei disso, mas o que me conforta é que mesmo mudando a cada dia, só te levarão de mim, quando eu não existir mais.
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