sábado, 2 de julho de 2011

"Trapiche"

Invade a escuridão da lagoa, o decrépito e solitário trapiche. Convida-me a fazer-lhe companhia, mas tenho medo de aceitar, convida-me a pôr meus pés nas tábuas à balançar. Sussurra com o auxílio do vento, algo que não consigo desvendar, mas me atrai. Hesito, respiro a coragem que me faltava e entrego a mão ao desconhecido, sinto em seus braços, abrigo. Fica longe a margem. Bendita coragem! Que noite bela me cedesses. Te vejo lagoa, de dentro, bah tchê! A brisa sulina, enxergo coisas que não se imagina, enquanto perdido, meu corpo na escuridão, minha alma encontrada na luz. Não estamos sós Trapiche, chego à conclusão, estamos guardados. Pode ser um anjo, ou não.

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